Caro Padre José Stella.
Agradeço-lhe a oferta feita para as missões, na Armênia. O Casal coordenador do COMIDI me entregou pessoalmente, assim que soube de minha estadia na Diocese, por ocasião da ordenação de nosso 3º Bispo Diocesano, D. Moacir Silva.
Fui para a Armênia em setembro de 2001, alguns dias antes da histórica visita ecumênica do Papa àquele pequeno País Cáucaso, que celebrava seus 1700 anos de conversão ao Cristianismo.
A Armênia, orgulhosamente, traz o título de primeira Nação Cristã, pois em 301 (século IV) assumiu o cristianismo como Religião oficial do Estado, antes do Edito de Milão, por obra de São Gregório Iluminador.
No século V, com a invenção do alfabeto armênio, obra do Monge São Mesrob Mashdots, consolidou-se Fé Cristã e identidade étnico-nacional.
Este antigo e pequeno povo sofreu, ao longo de sua história, invasões, deportações, tentativas de assimilação cultural e conversão religiosa ao Mazdeísmo (pelos persas)e ao Islã (pelos árabes) e em 1915 o terrível genocídio de 1 milhão e meio de armênios, perpetrado pelo governo Turco. Era a tentativa turca de limpeza étnica, na parte oriental de seus territórios.
Graças à ajuda militar da Rússia, alguns milhares de armênios sobreviveram nas Montanhas do Cáucaso e depois, passaram a compor a União Soviética, com o Regime Comunista. Hoje em dia, a atual República Armênia, do tamanho do menor estado brasileiro, o Sergipe, com seus 30.000 km2 abriga metade dos armênio do mundo (3 milhões e meio). Os outros estão na diáspora, espalhados por todo o Oriente Médio, Europa, Américas e, inclusive no Brasil (20 mil pessoas).
O pequeno País, como as demais 14 nações da ex União Soviética, vive um momento crítico: reconstrução nacional, sobrevivência econômica, soberania nacional, frágil democracia, altos índices de desemprego e miséria. Aliados ao terremoto de 1980 e a guerra com o Azerbaijão.
A maioria dos habitantes pertence à Igreja Apostólica Armênia, uma das antigas Igrejas Orientais não colcedonense. Os católicos estão localizados na região noroeste (norte da Região de Shirak) e sul da Geórgia. São ao todo 200 mil pessoas, que por 70 anos foram privadas do anúncio de Jesus e de toda assistência religiosa. De 60 padres católicos, com o Regime Comunista, chegamos a zero. A Igreja Católica foi proibida.
A atual Diocese, que tem à frente Dom Nersés Ter-Nersesian com 86 anos de idade, foi reaberta em 1991. O maior problema a ser enfrentado a falta de sacerdotes. Atualmente são 4 trabalhando na Diocese e 2 religiosos mekhitaristas. Outro desafio é o ateísmo, enquanto mentalidade dos jovens e casais de média idade, o indiferentismo religioso...
Minha Diocese (São José dos Campos) me deu todo apoio, clero e o Bispo Dom Nelson Nestrepp. Fui chamado a trabalhar na formação dos novos sacerdotes. Atualmente temos 10 seminaristas no Seminário Maior, estudando em Lvov (Ucrânia) e Tibilisi (Geórgia). Comigo, atualmente, estão 8 jovens no Propedêutico, na cidade de Gumri, sede do Bispado. Tenho muita esperança nesses jovens. Eles já são a esperança de um futuro promissor para a Evangelização dos católicos daquele país. São vocações nativas e, em comunhão fraterna com seus irmãos ortodoxos, poderão levar adiante a obra de evangelização.
Um abraço amigo,
Pe Sebastião Cesar